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Thrash Metal - História


Talvez muitos dos novos consumidores de rock e metal, aqueles que nasceram depois dos anos 80, nunca imaginam o que representou para a história da música pesada o surgimento de um estilo agressivo de música que fincou fortes raízes no rock produzido nas últimas duas décadas. Esse estilo surgiu no começo dos anos 80 e ficou conhecido como thrash metal. A palavra thrash significa 'açoite','chibatada', palavras que definem a rispidez praticada pelo estilo. Ainda hoje alguns veículos de música (principalmente os não especializados) referem-se ao estilo como “trash” metal, causando uma interpretação que ofende os antigos fãs, supondo que o segmento seria equivalente a filmes trash, ou seja música de péssima qualidade intencional.

Não é muito fácil conceitualizar o thrash metal. Mas tanto para os fãs antigos como para quem o toca, basicamente seria o peso do metal tradicional, aliado à velocidade extrema mas com melodias explícitas. Alguns discos de bandas de metal tradicional dos 80 tinham referências a esse conceito, como alguns do Accept por exemplo.

Bandas como Venom faziam no início dos 80 um som agressivo e rápido, mas pouco técnico e melódico. Assim como antigos nomes como Motorhead já faziam esse som sujo e rápido. Mas o estilo se popularizou mesmo quando na região da Bay Area de San Francisco, surgiram algumas bandas que praticavam um som sujo e rápido como as citadas, mas com uma técnica infinitamente superior e até mesmo assustadora.


O primeiro grande nome a se destacar foi mesmo o Metallica, até porque seu disco "Kill'em All" foi lançado no começo de 1983, sendo o primeiro a trazer comercialmente ao público as características acima citadas. Outros nomes também do mesmo quilate despontaram como precursores do thrash como Slayer (cujo maior trabalho foi “Reign in Blood”), Anthrax (“Among the Living”), Testament (“New Order”), Megadeth (“Peace Sells...”), Exodus (“Bonded by Blood”) entre outros. Do outro lado do Atlântico pintavam também outras bandas que também incorporaram o primeiro pelotão do estilo como Kreator (“Endless Pain”), Destruction (“Infernal Overkill”), Sodom (“In the Sign of the Evil”), Tankard (“Chemical Invasion”) entre outros.

Lembrando que, mesmo se qualificando como bandas thrash, as bandas invariavelmente tinham cartacterístias bem pessoais. Não poderia se dizer por exemplo que Anthrax, Slayer e Kreator faziam a mesma música. Velocidade, melodia e agressividade são características padrão das bandas, mas a forma como os ingredientes se misturavam construíram para cada banda seu estilo bem peculiar de se fazer thrash.

Alguns nomes que também fizeram bonito no começo do estilo mas nunca chegaram a ser taxados de medalhões poderiam ser lembrados como Coroner, Violence, Exciter, Onslaught, Sabbat, At War, entre outros.


E no Brasil? Bem até hoje dizem que nosso país possui a primeira banda no mundo que lançou um disco de thrash, no caso o Stress com seu álbum auto-entitulado. Acredito que não seja o caso, pois o disco em si nada mais é que um power metal pesado, cuja limitada produção possa deixa-lo sujo o suficiente para classificá-lo como thrash. Mas não é o caso. As primeiras bandas assumidas do segmento começaram sua carreira no momento em que o estilo estourava nos EUA, por volta de 84 a 86. É desnecessário lembrar que o maior nome do estilo e maior banda da história do metal brasileiro é o Sepultura. Os garotos de Minas que acreditaram em seu sonho e conquistaram o mundo, começaram na verdade fazendo um som baseado num death metal cru, em seu Split LP “Bestial Devastation” (gravado junto com o Overdose). Mas a partir de “Schizoprhrenia” de 87, a banda moldou seu som nas características tradicionais do thrash. Seu grande trabalho data do ano seguinte com “Beneath the Remains”, um disco considerado como um dos maiores clássicos do metal mundial, junto a “Master of Puppets” (Metallica) e “Reign in Blood” (Slayer). A partir deste álbum o Sepultura conquistou a Europa e ganhou fama de grande banda. A sonoridade do thrash tradicional foi mesclada a ritmos e percussões tribais a partir de “Chaos A . D.”, sonoridade esta que conquistou os EUA, e que muitos consideram responsável pelo futuro surgimento do new metal. Após a saída de Max Cavalera na metade dos 90, a banda passou por uma instabilidade interna, que causou uma ausência de bons álbuns.

Mas não só de Sepultura viveu ou vive o thrash nacional. Não poderíamos nos esquecer do fenomenal Korzus, que se não obteve o êxito comercial e internacional do Sepultura, sempre foi cultuado como uma das melhores bandas no estilo, responsável por bons álbuns como “Pay for Your Lies” e “KZS”. Além do Korzus, poderíamos citar ainda Vodu, MX, Taurus, Metralium e outros que marcaram essa primeira safra do thrash tupiniquim.


Após a explosão do estilo em escala mundial, a grande maioria das bandas mudou radicalmente sua sonoridade a partir dos anos 90. Metallica já não produzia discos tão poderosos, Megadeth teve momentos de instabilidade, Exodus e Anthrax sofreram importantes mudanças de formação o que gerou baixa na produção de seus discos. O Slayer se aproximou perigosamente da estagnação. Kreator fez algumas experimentações que desagradaram seus fãs. E o Sepultura sofreu com os problemas já descritos. O surgimento do grunge (ou rock alternativo) fez com que o mercado americano se desinteressasse pelo movimento thrash. Novas bandas no entanto surgiam com uma proposta moderna na concepção do thrash, como por exemplo Pantera, Nevermore, Machine Head e Fear Factory.

A partir do novo século, algumas bandas voltaram a fazer grandes trabalhos, criativos e pesados, como Kreator, Destruction, Tankard, Megadeth, Exodus e Testament. O estilo atualmente parece estar voltando ou mesmo tentando recuperar sua fatia de importância no mundo metal. No Brasil algumas bandas estão lançando ótimos discos do mais puro e clássico thrash, como Violator, Mad Dragster ou Bywar. O estilo sobrevive, resiste para que não viva apenas do glorioso passado.

Fonte: Wiplash